EXPRESSÃO & ARTE por Francisco Souto Neto. Curitiba, 3 e 4 nov. 1990, p. 14.

Jornal INDÚSTRIA & COMÉRCIO. Curitiba, 3 e 4 nov. 1990. p. 14.

EXPRESSÃO & ARTE

Francisco Souto Neto

Salão Banestado: oito anos descobrindo novos artistas

No ano de 1983 realizou-se o 1º SBAI – Salão Banestado de Artistas Inéditos, graças à importância que Octacílio Ribeiro da Silva, então diretor do Banestado, sempre soube conferir aos assuntos de cultura. Não foi fácil a Octacílio Ribeiro convencer a diretoria a aprovar a proposta, pois havia correntes contrárias à ideia de o Banestado “ter despesas com arte”.

Naquele difícil princípio, dois jornalistas ajudaram a dar força ao Salão Banestado: Aramis Millarch e Alcy Ramalho Filho. Suas sucessivas e elogiosas referências ao SBAI provocaram uma reação em cadeia: toda a imprensa passou a dedicar grande espaço aos assuntos do SBAI e a aplaudir a iniciativa.

Aramis, na coluna Tabloide (O Estado do Paraná) de 24.11.1983, escreveu: “Despertar o interesse pela cultura entre os seus servidores deveria ser preocupação de qualquer empresa. Entretanto, raros são os empresários que nestes dias bicudos estão dispostos a considerar qualquer atividade que possa representar despesas extras, embora eventos culturais não signifiquem necessariamente despesas supérfluas e, ao contrário, podem fazer os funcionários sentirem-se mais motivados para o trabalho. (…) Agora o Banestado começa a investir na área, graças à sensibilidade e dedicação de um dos seus mais competentes assessores, Francisco Souto Neto.Uma sugestão levada a Octacílio Ribeiro da Silva, diretor de Crédito Rural e Industrial, no sentido de promover uma exposição de artistas amadores entre funcionários e clientes do Conglomerado, foi aprovada pelo ex-presidente Léo de Almeida Neves e referendada pelo seu sucessor, José Brandt Silva, resultando no Salão inaugurado ontem à noite no SENAC. (…) A comissão julgadora dos trabalhos foi formada pelos artistas Alberto Massuda, Jair Mendes e Mazé Mendes, que premiou os trabalhos de Heloísa Machado Moreira (de Jacarezinho), Rubens Faria Gonçalves (de Curitiba) e Dorothy de Souza Rocha (de Ponta Grossa). Uma homenagem foi prestada à sempre admirável dona Maria Nicolas que, como cliente do Banestado, inscreveu seus trabalhos para esse Salão”. Isto foi o que escreveu Aramis Millarch em 1983, que já transcrevi em 1989, nesta mesma coluna.

Vale acrescentar que Alcy Ramalho Filho foi quem, nestes oito anos, maior número de vezes referiu-se ao SBAI. Seguiram-se outros jornalistas que também sempre deram inestimável e precioso apoio ao Salão Banestado: Cláudio Manoel da Costa, Wilde Martini, Izza Zilli [Iza Zilli], Ruy Barrozo, Cláudio Seto, Dino Almeida, Juril Carnasciali, Calil Simão, Renato Toniolo, Mary Schaffer, Tucca, Léo Pasetti, Wilson de Araújo Bueno, Anita Zippin, Ricardo Rodrigues, Edna Jankoski, Carlos Maranhão – e muitos outros. A todos esses amigos, o meu reconhecido e sincero agradecimento.

Tendo atravessado três governos ininterruptamente (José Richa, João Elízio e Álvaro Dias), atinge a 8ª etapa fortalecido, oferecendo três prêmios aos melhores concorrentes que somam o equivalente a 1000 BTNs, e reconhecido como um dos mais importantes eventos no Paraná, com a finalidade de projetar novos talentos.

As inscrições estão sendo aceitasem todas   as Gerências Regionais do Banestado, no interior paranaense. Em Curitiba, na sede do Museu Banestado, na Rua 15 de Novembro, 240 – 2º andar.

Ilustração: Na inauguração do 7º Salão banestado, o discurso do vice-presidente Sérgio Miguel de Souza. Ao fundo: Francisco Souto Neto, Valmor Pícolo, Octacílio Ribeiro da Silva.

Poty na Galeria Banestado

A arte de Poty (Napoleon Potyguara Lazzarotto) está presente no nosso dia-a-dia como a de nenhum outro artista do Paraná. Basta observar o seguinte: pelo menos a minha geração convive com a obra de Poty desde a infância, através das ilustrações que ele fez num sem número de livros. Além disso, é a sua arte que se espraia por toda Curitiba, integrada ao panorama da cidade. No Aeroporto Afonso Pena, no Teatro Guaíra, no Palácio Iguaçu (para mencionar somente três exemplos), em praças públicas, em toda parte, é a arte de Poty que está presente e que se fixa nas nossas retinas, do mesmo modo como acontecerá com as gerações que nos seguirão, rumo aos séculos vindouros. E não é só: a arte desse homem extraordinário alcança todo o País. Por exemplo, no Memorial da América Latina, os grandes Caribé, Poty e Portinari ombream-se no talento, enquanto nos passam a sensação de obras projetadas para a Eternidade.

No escritório da Galeria de Arte Banestado. Atrás, em pé: Alice Varajão, Francisco Souto Neto, Marly Meyer Araújo. Sentados: Poty Lazzarotto e Vera Munhoz da Rocha Marques. Nas portas do armário, à direita,  colados dois exemplares da coluna Expressão & Arte. Foto de Clarissa Lagarrigue.

Há dois meses o artista inaugurou (com Calderari) uma exposição em Höenloem, na Alemanha, e trouxe de lá lindos desenhos que está expondo na Galeria de Arte Banestado (Marechal Deodoro, 333), intercalando-os com outros desenhos da paranaense Antonina. É ele mesmo quem explica os motivos que o levaram a esta exposição: “…certa ocasião fiquei retido em Curitiba no Aeroporto Afonso Pena. Era uma greve qualquer, e decidi ir para algum lugar: o primeiro ônibus que partia era para Antonina… Alguns anos depois, por acaso, acaso nem tanto, fui parar na boa velha Höenloem dos castelos, Alemanha… Achei curioso mostrar desenhos que fiz na bíblica Antonina e nas góticas aldeias alemãs”.

Ficou muito bonita a união da “bíblica Antonina” com a “gótica Alemanha”. Graças ao poder de síntese e à leveza com que executa os delicados desenhos, a exposição resulta numa das mais importantes, deste ano, em Curitiba.

Na semana passada, no meu Programa Expressão & Arte pela Rádio Estadual do Paraná, “conversei” com Poty e dediquei-lhe uma música cantada por Marlene Dietrich, em alemão. Foi uma homenagem não apenas ao artista, mas também ao cinéfilo e ao homem sensível e de amplo Weltanschauung que ele é.

A exposição é didática, não comercial (as obras não estão à venda) e poderá – e deverá – ser visitada até dia 16 do corrente.

Ilustração: Poty. Foto Alice Varajão.

Gobbo & Boscardin: duas novas galerias de arte em Curitiba

Vai distante o tempo em que Curitiba inaugurou a sua primeira galeria de arte: a Cocaco. Isso aconteceu há 30 anos. Depois, timidamente, foram aparecendo outras galerias.

Hoje, o número de galerias de arte numa cidade parece influir no conceito que se possa aferir do seu nível cultural. Elas vão surgindo na mesmo proporção em que as pessoas lhes conferem importância e também em que o mercado de arte se firma neste país.

Exemplo disso são as duas novas galerias de arte curitibanas inauguradas na semana passada: Gobbo Artes, na Rua Francisco Rocha, 45 (Batel) e Boscardin Interiores, na Av. Manoel Ribas, 4980 (Santa Felicidade).

Ainda não tive a oportunidade de ir conhecer as duas galerias, embora tenha anunciado nesta “Expressão & Arte”, com quatro meses de antecedência, que Marcus Vinícius Gobbo preparava-se para abrir um novo espaço de arte. Aliás, naquela ocasião conheci diversas das peças que viriam a formar o acervo da geleria, dentre as quais inúmeras de Helena Wong, dentre outros nomes igualmente expressivos.

Desejo, pois, aos amigos Gobbo e Boscardin, sucesso crescente no ramo das artes plásticas.

Ilustração: Tela de Helena Wong. Foto Ronald Luz.

No Guairinha, o “Grupo de Dança Emma Sintani”.

Ao fechar esta coluna, eu ainda não tinha tido a oportunidade de ir ver o Grupo de Dança Emma Sintani, no Guairinha. Embora a praxe de Expressão & Arte seja escrever só depois de assistir ao evento, desta feita abri exceção, adiantando-me ao acontecimento, por este motivo: há exatos 20 anos venho acompanhando, sempre que possível, as apresentações do referido grupo, desde o tempo em que residi em Ponta Grossa. Na época em que criou o grupo, Emma Sintani já se apresentara dançando com René Castellón, em diversos países, até mesmo na China.

As longo das últimas décadas, Emma Sintani colecionou prêmios em vários festivais de âmbito nacional. No momento, o Grupo de Dança está desenvolvendo um trabalho didático junto às escolas de 1º e 2º graus, com o objetivo de despertar o interesse entre crianças e jovens pelos espetáculos de ballet, incentivando os futuros bailarinos e contribuindo para com o desenvolvimento de novas plateias.

Para Curitiba, isto é, para o palco do Guairinha, Emma trouxe a Missa Crioula, de Ramirez, e também Cármen, de Bizet, ambas com coreografias dela mesma. O espetáculo contou com a participação dos excelentes solistas Maria Jacira Amaral e Léo Pasetti, e do corpo de baile composto por Lucilene de Geus, Erika Wolff, Débora Wolff, Lília Baek, Sheila Scheneider, Arillo Barbisan, Heleno Moura, Márcio Zanon, Marcelo Perini e Erickson Wolff. Os cenários são de Renán Castellón. Direção geral e figurinos são de Emma Sintani.

Ilustração: Maria Jacira Amaral e Léo Pasetti dançando a Missa Crioula. Foto Ivson Renato Filipak.

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Sobre franciscosoutoneto

O comendador Francisco Souto Neto trabalhou no extinto Banco do Estado do Paraná S.A. até aposentar-se, onde exerceu as funções de inspetor, assessor da diretoria, da presidência e para assuntos de cultura. Filho do jornalista e radialista Arary Souto (1908-1963) e Edith Barbosa Souto (1911-1997), é advogado, jornalista e crítico de arte, com colunas em jornais e revistas desde os anos 70. Tem integrado diretorias e conselhos consultivos e administrativos de diversas entidades, sobretudo de órgãos oficiais ligados à cultura paranaense. Foi-lhe outorgado o título de Comendador pela Associação Brasileira de Liderança (São Paulo). Recebeu o "Troféu Imprensa do Brasil 2014" e também o "Prêmio Excelência e Qualidade Brasil 2015" na área da Cultura, como “Destaque entre os melhores do Brasil”. Em novembro de 2016 recebeu mais uma vez o Troféu Imprensa Brasil, seguido do Prêmio Cidade de Curitiba, e ainda do Top of Mind Quality Gold. É membro da Academia de Letras José de Alencar, em Curitiba, onde ocupa a Cadeira Patronímica nº 26.
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